Saturday, March 29, 2008

Feira da Ladra - Hoje


Um pouco de tudo, como uma manta de retalhos.

Detalhe de artigos de vidro e cerâmica.

Miscelânea de velharias e antiguidades.

O Snr. Manuel (ao centro) vende livros, gravuras e revistas antigas.

Até a paragem de autocarros não escapa à realização de "negócios".

Depois de um intervalo longo, devido a vários condicionalismos incontornáveis, e depois de uma incursão matinal ao Campo de Stª Clara, mais concretamente à Feira da Ladra, onde fiz algumas fotos ocasionais, resolvi retomar a actividade neste blogue.

Para quem não sabe, a Feira da Ladra tem origem na Idade Média, século XIII, sendo o mais antigo mercado de Lisboa. É situado no Campo de Santa Clara, na freguesia de São Vicente de Fora desde 1882 e funciona todas as terças feiras e sábados de manhã. O regulamento de funcionamento pode ser lido aqui. In english you can read here the Frommer's Review.

A Feira da Ladra também mereceu dois poemas/canções:

"É terça-feira"
Sérgio Godinho

É terça-feira
e a feira da ladra
abre hoje às cinco
de madrugada

E a rapariga
desce a escada quatro a quatro
vai vender mágoas
ao desbarato
vai vender juras falsas
amargura
ilusões
trapos e cacos e contradições

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração é incapaz de dizer
"tanto faz" parte p´ra guerra
com os olhos na paz

É terça-feira
e a feira da ladra
quase transborda
de abarrotada

E a rapariga
vende tudo o que trazia
troca a tristeza
pela alegria

E todos querem
regateiam amarguras
ilusões
trapos e cacos e contradições

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração
é incapaz
de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

É terça-feira
e a feira da ladra
fica enfim quieta
e abandonada
e a rapariga
deixou no chão um lamento
que se ergue e gira
e roda com o vento
e rodopia
e navega
e joga à cabra-cega
é de nós todos
e a ninguém se entrega

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração
é incapaz
de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

Nova Feira da Ladra
Carlos do Carmo
Composição: Ary dos Santos


É na Feira da Ladra que eu relembro
uma toalha velha, toda em linho,
que já serviu uma noite de Dezembro,
e agora cheira a Setembro,
como o Outono sabe a vinho.
Não valem muito mais que dois pintores
os quadros das paisagens
que eu já sei,
mas valem, pelos frutos, pelas flores
que em São Vicente das Dores,
fora de mim, eu pintei.

O que é que eu vou roubar à Feira?
Um beijo de mulher trigueira.
Aqui um coração, ali uma gravura.
É a Feira da Ladra ternura.
O que é que eu vou trazer da Feira?
Um corpo de mulher braseira.
Aqui está um lençol, bordado como dantes.
Esta Feira da Ladra é dos amantes.

E na Feira da Ladra nos vingamos
dum pouco desse tempo que morreu.
Em cada botão velho que compramos
há sempre uma corja de amos
que em Abril, Abril venceu.
Agora não compramos velharias,
tudo passado é lastro do futuro.

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6 Comments:

Anonymous Dacosta said...

Gostei da maneira como descreveu e fotografou a Feira da Ladra. Eu estou dentroi dela, depois de me ter ausentado por mais de 20 anos, voltei com outras funções, mas com mais força para ajudar a feira a resistir a criticos mesquinhos que tendem denegrir a feira, com objectivos unicamente politicos e demagogos..............

11:34 PM  
Blogger efe said...

Execelente apontamento de reportagem. gosto especialmente da última foto. felizmente, a feira da ladra ainda existe. espero que continue.
Abraço.

12:26 PM  
Anonymous Anonymous said...

Vê-se que é um amante de Lisboa. Parabéns pelas fotos e por lembrar um local que adoro também visitar de vez em quando.

5:23 PM  
Blogger Vieira Calado said...

Eu adoro esses ambientes.
Há séculos que não estou numa feira dessas, a sério, como as que havia em Paris.
Um abraço.

1:44 AM  
Blogger JFS said...

Penso que a Feira da Ladra está melhor, com as marcações dos espaços de venda e mais segurança, onde já se pode andar sem levar a mão no bolso para proteger a carteira. É evidente que não é possível ou conveniente tentar barrar o aparecimento de vendedores "clandestinos", fruto da época que atravessamos, que se espalham pelas ruas adjacentes ao Campo de Sta Clara, a vender objectos pessoais ou de origem duvidosa. É sempre um prazer passear pela Feira e disfrutar da bela vista do Tejo, mesmo que não se compre nada.

6:45 PM  
Blogger Flávio Texeira said...

Nunca fui á feira da ladra...

Quero muito ir!!!

Pelas fotos tem muito coisa interessante!

Flavio

11:24 AM  

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